quinta-feira, 1 de março de 2007

Análise Técnica x Fundamentalista

Ao iniciar a participação em fóruns e listas de discussão sobre aplicações, é comum assistir duas correntes distintas se digladiarem: os Grafistas e os Fundamentalistas.

Os Grafistas são chamados assim por montarem suas estratégias baseado na Análise Técnica (ou Gráfica) de suas carteiras, avaliando os dados gerados pelas transações (preço e volume) e utilizando os gráficos resultantes para buscar padrões e assim determinar o melhor momento para comprar ou vender uma ação.

Essa técnica, para funcionar, precisa que a ação em questão tenha um grande volume de transações, pois somente assim haverá massa de testes para fazer suas estimativas. Segundo seus seguidores, tem a vantagem de não ser necessário um profundo conhecimento do mercado onde se está atuando nem da ação com a qual se irá trabalhar, bastando apenas estar disponível uma série histórica bem grande para poder gerar os gráficos. Sua fundamentação teórica é baseada em estatística.

Um grafista com quem conversei citou como maior benefício dessa técnica a possibilidade de alavancar seu capital mais rapidamente com freqüentes compras e vendas de ações. De acordo com esse trader, nos últimos anos, somente uma vez ele teve um prejuízo grande usando a AT.

Já os Fundamentalistas focam na determinação do valor da ação de uma empresa a partir de seus dados financeiros, macro-econômicos e a política monetária do país e a forma como esse conjunto irá se refletir nos preços das ações.

Usando essas informações, tentam estimar o valor real da ação, visando determinar se o momento é de compra ou de venda da mesma. Para investidores institucionais ou de grande porte, essa técnica é muito importante, pois irá determinar quais as ações possuem boas possibilidades de valorização, além do momento apropriado para descartá-las de suas carteiras.

A minha estratégia é manter metade da minha carteira em ações nas quais pretendo investir visando o longo prazo. Essas seriam escolhidas usando a Análise Fundamentalista. E o restante usarei em operações de curto prazo, onde pretendo definir o momento da compra e da venda usando a Análise Técnica.

Ficou interessado em aprender mais sobre essas duas "correntes"? Um excelente tutorial sobre Análise Técnica pode ser encontrada no site da Nelogica, enquanto que a ESTinvest disponibiliza um artigo detalhado voltado para os conceitos da Análise Fundamentalista.

Investindo em Ações - Boletins

Quando eu comecei a investir em ações, uma das primeiras coisa que eu fiz foi assinar dúzias de boletins diários sobre o mercado. Enquanto que a maioria nada mais são do que propaganda pura das respectivas corretoras, alguns se destacam pela alta qualidade de seu conteúdo e abrangência dos seus artigos.

O meu preferido é o Infomoney, cujas previsões tem se mostrado acertadas (aliás, arrependo-me de não ter acreditado em várias delas - teria deixado de perder dinheiro). Recomendo, entre os vários que eles publicam, o de Investimentos e o de Finanças Pessoais. Esse é um daqueles serviços encontrados na web que você se surpreende por serem gratuitos.

Dentre os blogs, vale a pena visitar o (ou assinar os feeds do) Bússola de Finanças. Ele disponibiliza quase que diariamente análises mais técnicas sobre o mercado, apresentando gráficos que mostram a evolução de papéis e suas tendências. Apesar de não ser de fácil compreensão para os que estão começando, ajuda a se familiarizar com a terminologia da área.

E, se você tiver um tempo disponível, sugiro acrescentar à sua lista os seguintes: Projeção (visite também o site deles para encontrar tutoriais básicos sobre o mercado financeiro), Baster e Nelogica.

Para os que gostam do Orkut, não deixem de acompanhar o fórum "Investidor Agressivo". Apesar de 90% do que é publicado ser lixo (são centenas de posts diários), é possível encontrar muita informação interessante (links para livros e artigos, análises de ativos, etc.), especialmente sobre IPO's.

Enfim, mantenha-se sempre atualizado! Para criar uma boa estratégia de investimento, é fundamental ter um bom embasamento.

Em tempo: se encontrar outros boletins interessantes, não deixe de divulgá-los por aqui...

Ações: Um Excelente Negócio?

Nos últimos 5 anos, aplicar na bolsa tem sido um excelente negócio. O iBovespa teve uma valorização de 237%, bem acima da renda fixa ou da poupança (argh!). E quem teve competência (ou bola de cristal) para antecipar a valorização de alguns ativos, ganhou muito mais ainda.

As Lojas Americanas, no período, valorizou 3.700% (isso mesmo, você não leu errado). Quem comprou 10 mil ações da empresa em janeiro de 2002, quando valiam R$ 3,30 e vendeu em janeiro de 2007, cotadas a R$ 127,61, saiu com a módica quantia de R$ 1,27 milhões. Nada mal, hein?

O mérito é todo do trio Jorge Paulo Lemann, Marcel Telles e Carlos Alberto Sicupira, os mesmo que fundiram a Brahma e a Antárctica na Ambev e depois venderam o negócio para a Interbrew por 70 vezes o valor investido inicialmente. Aliás, uma boa estratégia pode ser tentar seguir os passos desses "midas" e aplicar uma parte de sua carteira em projetos onde eles estão à frente.

Entretanto, apesar da valorização fantástica, a Americanas não foi a única empresa a alavancar consideravelmente o capital dos investidores na bolsa de valores. Petrobrás, Vale do Rio Doce e diversas outras também tiveram rendimentos superiores a 600% no período.

"Entrar ou Não Entrar, eis a questão..."

A questão agora é: "devo entrar na bolsa agora"? Entrar na bolsa em períodos de alta é a receita perfeita para se perder dinheiro. Um grande empresário, do qual não lembro o nome, dizia que o "segredo do sucesso está em comprar bem e não em vender bem. Se você comprar um produto por um preço muito abaixo do mercado, suas chances de ganhar um bom dinheiro na venda são muito maiores". O mesmo raciocínio vale para a bolsa. Ao comprar um papel sobrevalorizado, você precisa que ele continue subindo muito acima do seu valor real para poder ganhar com ele.

Dessa forma, para reduzir os riscos de "entrar numa furada", existem três alternativas:

  1. Avaliar os papéis que possuem bom potencial de valorização, usando para isso a Análise Fundamentalista;
  2. Procurar estimar, através da Análise Técnica (ou Gráfica), quais são os melhores momentos para comprar e vender as ações;
  3. Esperar uma forte realização de lucros para encontrar "pechinchas";
Independente da estratégia que se deseja seguir, é importante ter sangue frio durante as quedas da bolsa (que invariavelmente ocorrem de tempos em tempos), para não entrar em desespero e vender em um momento de baixa.

Ao mesmo tempo, é muito importante possuir uma metodologia pra tentar estipular se alguma das ações da sua carteira tem pouca possibilidade de se recuperar no médio prazo. Nesses casos, deve-se avaliar se a não é melhor assumir o prejuízo e investir em outras ações que possuem maiores chances de trazer uma boa rentabilidade no curto prazo e que tragam um lucro maior do que o prejuízo do ativo que você vendeu. É o que se chama de "custo de oportunidade".

Previsões para 2007

Para alguns analistas, há uma boa possibilidade de que várias blue chips tenham uma rentabilidade entre 20% e 30% nesse ano. Isso significa um retorno muito superior a renda fixa.

Também estão sendo previstas novas realizações de lucros, como a que ocorreu na primeira semana de janeiro, onde a bolsa se desvalorizou quase 10%. Existe um movimento de saída dos investidores internacionais, que apesar de pequeno, pode estar impedindo a recuperação mais forte do iBovespa.

Assim, para os que não conhecem bem o mercado, há uma boa possibilidade de se perder dinheiro se quiser apostar no curto prazo. Entretanto, para os que pensam em aplicações para médio e longo prazo, esses solavancos não deverão afetar a rentabilidade dos seus papéis.

Conclusão

Estude o máximo que puder sobre o mercado de renda variável, assine os diversos boletins gratuitos existentes e veja as carteiras que as melhores corretoras recomendam manter. Afinal, é o seu dinheiro e ninguém melhor que você para saber o quanto custou juntá-lo...