sábado, 18 de junho de 2016

Os empreendedores não têm um gene especial para o risco: eles apenas vêm de famílias com dinheiro

Estamos em uma época do culto ao empreendedorismo. Analisamos o que escreveram Tory Burch e Evan Spiegels à procura de uma fórmula mágica ou um conjunto de traços de personalidade que levassem ao sucesso. O empreendedorismo está em ascensão, e cada vez mais alunos que estão saindo das escolas de negócios estão escolhendo ter suas próprias startups ao invés de ir trabalhar em Wall Street.
Mas o que muitas vezes se perde nestas conversas é que a característica mais comum compartilhada entre esses empreendedores é o acesso fácil ao capital financeiro: dinheiro da família, uma herança, ou um "pedigree" com conexões que permitem o acesso à estabilidade financeira. Enquanto na maioria das vezes parece que os empreendedores tendem a ter um admirável propensão para risco, a verdade é que o acesso ao dinheiro que lhes permite tomar riscos mais altos (no caso de falência, bastaria recomeçar tudo novamente com capital de terceiros).

E essa é uma vantagem fundamental: quando as necessidades básicas são atendidas, é mais fácil ser criativo. Quando você sabe que você tem uma "rede de segurança" lhe protegendo em caso de fracasso você está mais disposto a correr riscos. "Muitos outros pesquisadores replicaram a constatação de que o empreendedorismo é mais sobre dinheiro do que características genéticas", diz o professor da Universidade de Warwick, Andrew Oswald. "Genes provavelmente importam, como na maioria das coisas na vida, mas não tanto assim."

Os economistas Ross Levine e Rona Rubenstein, da Universidade Berkeley, Califórnia, analisaram os traços compartilhados entre os empreendedores em um artigo publicado em 2013 e descobriram que a maioria era era composta por homens brancos altamente educados. "Se não tiver dinheiro na forma de uma família rica (ou com bons contatos), as chances de se tornar um empreendedor caem um pouco," diz Levine.

Uma nova pesquisa publicada nesta semana pela National Bureau of Economic Research analisou o grau de assunção de riscos no mercado acionário e descobriu que fatores ambientais (não genéticos) foram os principais responsáveis pelas tomadas de decisão. Ou seja, a tolerância ao risco aumenta ao longo do tempo, quando os operadores estão mais experientes e com maior patrimônio, dissipando o mito de um "gene de empreendedorismo" responsável por fazer com que as pessoas fizessem operações mais arriscadas.

Resiliência é, indubitavelmente, uma característica necessária para o sucesso; muitos empresários notáveis experimentaram sucesso somente após seus primeiros empreendimentos falharem. Mas a barreira de entrada é muito alta.

Para profissões criativas, começar um novo empreendimento é um privilégio. Muitos fundadores de startup não recebem salários por um bom tempo, até o negócio maturar. O custo médio de uma startup é de cerca de US$ 30.000,00 de acordo com a Fundação Kauffman. Dados da Global Entrepreneurship Monitor mostram que mais de 80% do financiamento para novos negócios vem de economias pessoais, amigos e família.

Uma mulher de 31 anos que dirige um negócio na área social na região de Nova York e pediu para não ser identificado, disse: "Seguir seus sonhos é perigoso. Toda essa gente está sendo seduzida a pensar que eles podem sair e perseguir o seu sonho a qualquer momento, mas não é verdade".

"Sim, certamente trabalho árduo resultará em algo, mas as pessoas subestimam o quanto uma rede de contatos e um colchão financeiro te dando suporte influenciam no sucesso do teu empreendimento".

Fonte: Quartz

terça-feira, 24 de maio de 2016

SEFAZ-SP encerrará o emissor de NF-e gratuito em janeiro/2017

A Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo divulgou a informação de que irá descontinuar seu emissor gratuito de notas fiscais eletrônicas em janeiro de 2017. Desde já, a versão atual deixa de receber atualizações e não haverá uma versão substituta. Isso é uma notícia que demanda total atenção, principalmente por parte dos contadores.

Sem as atualizações constantes que as notas recebem da legislação brasileira, o risco de uma emissão errada é alto e, o pior, passível de multa. Esse cenário ainda conta com um agravante. Muitas empresas possuem suas rotinas e inclusive seus ERPs prontos para atender a esse modelo de emissão gratuito. Essa mudança afeta diretamente toda a cadeia de informação fiscal e administrativa da empresa.

Os emissores gratuitos eram fornecidos pela Sefaz desde 2006. Seu objetivo sempre foi gerar um melhor controle sobre o recolhimento de impostos e, inclusive, de defesa do consumidor, proporcionando um controle claro das transações comerciais realizadas. A alteração vem baseada em um levantamento realizado pela Sefaz que aponta que 92,2% das NF-e emitidas foram geradas por softwares emissores próprios e somente 7,8% usaram o emissor da SEFAZ-SP.

Por conta disso o órgão chegou a conclusão que a ferramenta gratuita não se justifica e optou por descontinua-la.

Embora ainda seja possível usar a versão atual até o final do ano, caso alguma regra seja alterada nos próximos meses a emissão será denegada se o aplicativo atual não atende-la.

terça-feira, 22 de março de 2016

chargeback: problemas que a fraude pode causar ao seu site de Comércio eletrônico

Quem vende pela internet sabe que o “custo da fraude” deve estar sempre embutido no risco do negócio. Afinal de contas, no caso de compras realizadas com cartões de crédito roubados, é o lojista que arca com o chargeback (o estorno, a devolução do valor da venda ao cliente que contestou aquela compra). Hoje em dia é considerado “saudável” um e-commerce que possui uma taxa de fraude inferior a 1% do faturamento, mas este não é o único dado com o qual você deve se preocupar.
Os prejuízos causados pela fraude podem ir além do dinheiro ou do produto perdido. O chargeback é apenas a primeira e a mais óbvia consequência do golpe online. Há outras “camadas” que podem comprometer muito mais que um 1% do seu faturamento ou causar danos muitas vezes irreparáveis para o seu negócio.

Por este motivo, listei os cinco principais problemas que a fraude pode causar, além do chargeback:

1. Você começa a ter dores de cabeça

Lidar com os contratempos causados pela fraude é complicado. Você terá que destinar (ou contratar) funcionários para resolver todos os problemas relacionados a conciliação, contestação, auditoria, recuperação e estorno. São vários “incêndios” que surgirão em sua empresa e que precisarão ser apagados, atrapalhando a sua operação. Além disso, para proteger o seu negócio, por instinto você poderá ficar mais rígido e exigente no momento da aprovação de pedidos e acabar negando mais vendas.

Ou seja, a partir do momento em que a fraude se torna um problema mais grave para a sua loja, você gasta uma quantidade considerável de tempo e dinheiro para contornar esse “sangramento”, em vez de investir esses recursos em atividades que trarão mais receita.

2. Você fica sujeito a multas muito altas (e em dólares!)

Ao perceber que o seu e-commerce começou a sofrer um alto volume de fraudes, superando a taxa aceitável de 1% ou outras métricas pré-determinadas, as adquirentes de cartão de crédito podem incluí-lo em um programa de chargebacks. Por este motivo, a loja inicialmente é notificada e, se não corrigir o problema dentro de um período de tempo específico (em torno de três meses), começa a receber multas das operadoras de cartão de crédito.

Essas cobranças são feitas em dólares e são progressivas, tornando-se cada vez mais severas com o passar dos meses. Em alguns casos, o comerciante pode sofrer uma punição de até US$ 200 por cada chargeback recebido (fora outros encargos e o prejuízo das mercadorias enviadas para os criminosos que conseguiram fazer compras com cartões roubados).
Para deixar o programa de chargebacks, o e-commerce deve retornar ao patamar de fraudes considerado “aceitável” e permanecer nele por alguns meses.

3. Você pode ser descredenciado das adquirentes

Pois é! Se você permanecer por muito tempo no programa de chargebacks e não conseguir recuperar a “saúde” do seu e-commerce, pode perder o direito de receber pagamentos de cartões de uma determinada bandeira (ou de mais de uma). Já pensou o estrago que isso causaria? Não é difícil calcular, considerando que a média das transações realizadas com cartão de crédito no e-commerce é de 75% e que as empresas Visa e MasterCard, juntas, detêm mais de 90% das transações.

4. Os bancos podem recusar suas vendas

Os bancos não possuem um programa de chargebacks, mas têm uma espécie de score para a reputação das lojas, que influenciam na taxa de aprovação das vendas que passam por essas instituições. O aumento das fraudes impactará diretamente o score no seu e-commerce, e a sua taxa de aprovação cairá. Os bancos, para se protegerem e resguardar os seus correntistas, passarão a negar os pedidos que vierem da sua loja. Pense: quanto maior o número de pedidos você tiver, mais relevante será o impacto desse score bancário.

5. O consumidor pode ter medo de comprar com você

“Meu cartão foi clonado e fizeram uma compra de R$ 1.500 na Loja XPTO, acredita? ”. Nós já ouvimos isso, e acredito que você também. Mas você já parou para analisar essa situação? A Loja XPTO foi apenas o lugar na qual o cartão clonado foi usado, e é bem provável que ela não seja a verdadeira culpada pelo vazamento dos dados. Considerando que o cliente solicitou o chargeback e será ressarcido, a Loja XPTO também se torna a maior vítima dessa história.

Mas aquele consumidor acabou tendo uma experiência tão ruim ao ser vítima de um golpe que os termos “cartão clonado” e “Loja XPTO” ecoarão por tanto tempo que é bem possível que ele tenha receio de fazer uma compra nessa loja no futuro e ter o seu cartão clonado, novamente.

Pior: ele pode compartilhar esse medo com amigos e familiares, que também pensarão na hora de finalizar a compra no seu e-commerce. Diante deste fato, a sua marca ficará desgastada junto ao consumidor, e você ainda poderá perder vários outros clientes.

6. E o que você pode fazer?

Diante desses fatos, a melhor maneira que os lojistas têm para enfrentar a fraude no e-commerce é prevenir-se dela. Reverter um chargeback não é uma tarefa impossível, mas muito difícil. E a solução de todos os problemas que listamos aqui também exigirão uma parcela considerável de tempo, energia e orçamento, o que atrapalhará de maneira significativa a sua operação.

Prevenir-se deste tipo de golpe consiste, especialmente, em proteger o seu e-commerce com o antifraude que mais se encaixe com as suas necessidades e expectativas. Há diversas alternativas disponíveis no mercado, inclusive tecnologias que conseguem detectar compras suspeitas por meio da inteligência artificial na análise de risco.

Fonte: artigo de Tom Canabarro, co-fundador da Konduto (empresa especializada no combate a frauds por cartão) para a ComputerWorld