quinta-feira, 7 de julho de 2016

A Oracle abandonou o desenvolvimento do Java?

Segundo afirma matéria (em inglês) no site Ars Techica, a Oracle teria cortado o investimento e interrompido o desenvolvimento do Java Enterprise Edition (Java EE), versão da linguagem de programação para servidores, que faz parte de centenas de milhares de aplicações de internet e de negócios — crucial, inclusive, para muitas aplicações que não são baseadas em Java.

O motivo da interrupção, de acordo com o site especializado em tecnologia, é que a Oracle teria decidido acabar com projetos, de modo geral, que não geram receita e restringir projetos de código aberto, a fim de rentabilizar o acesso a eles.
Para analistas ouvidos pelo Ars Techica, os efeitos negativos dessa decisão, tanto no curto prazo quanto no longo prazo, serão enormes, já que a comunidade global de TI é muito dependente do Java e do Java EE. Muitos lembram que o ecossistema Java vem sendo desenvolvido há cerca de 20 anos e cresceu bastante, principalmente por causa de seu modelo baseado em código aberto. Por isso, segundo eles, restringir ou suspender os investimentos no Java EE significa um ritmo mais lento das atualizações da linguagem e dos patches de segurança.
Outro impacto é que seriam necessários milhares de aplicativos de servidor e de nuvem para substituir os componentes em que o Java EE já está incorporado. Em resumo, isso pode causar ainda mais problemas entre Oracle e a comunidade de desenvolvedores e até mesmo levar a uma cisão entre eles e a empresa.
Alguns analistas acreditam, no entanto, que a Oracle tem várias razões para não interromper totalmente o desenvolvimento do Java EE. Isso porque ela própria depende fortemente da linguagem de programação para seus softwares e serviços, e contribui indiretamente para mais de 70% da receita da companhia com a venda de licenças e suporte de software, de acordo com a Ars Technica. Se interromper o Java EE, a empresa terá de compensar essa perda de receita com outros produtos ou serviços.
Um aspecto apontado pelos analistas é que o Java proporcionou à empresa uma base de operações na nuvem e fomentou um forte relacionamento entre ela e os desenvolvedores, bem como com os clientes. Além disso, a Oracle já investiu tempo e recursos substanciais na linguagem de programação.
Isso sem falar que durante anos a fabricante de software travou uma disputa nos tribunais contra o Google, alegando que o gigante das buscas incluiu ilegalmente partes do Java no sistema operacional para dispositivos móveis Android. Por isso, a Oracle pediu uma indenização de US$ 9,3 bilhões, por perdas e danos. No fim de maio, no entanto, o júri do Tribunal Federal do Distrito Norte da Califórnia, em San Francisco, decidiu por unanimidade que o uso pelo Google de partes da linguagem de programação para desenvolver o Android é protegido pela cláusula de "uso justo", prevista pela legislação de direito autoral dos Estados Unidos. Após a sentença, a Oracle disse que iria recorrer da decisão.
É provável que a Oracle queira simplesmente terceirizar o desenvolvimento do Java EE, enquanto mantém o controle direto sobre o Java Standard Edition (SE). O Java EE depende do núcleo do Java SE para operar, de modo que isso permite que a Oracle mantenha o controle primário sobre a plataforma Java.
Os rumores sobre a interrupção do desenvolvimento ganharam dimensão após funcionários da Oracle que trabalharam no Java EE terem dito a pessoas da comunidade Java que eles foram deslocados para trabalhar em outros projetos. Também ocorreram conversas entre alguns desenvolvedores de Java EE de que a empresa abandonou a compatibilidade com a plataforma de software com a aquisição da Sun Microsystems, há seis anos. No entanto, a Oracle permanece em silêncio sobre seus planos para o Java EE.
A recusa da Oracle em fazer qualquer comentário, levou alguns membros da comunidade Java a questionar o compromisso da empresa não apenas com o Java EE, mas como toda a plataforma.
Fonte: TI Inside

sábado, 18 de junho de 2016

Os empreendedores não têm um gene especial para o risco: eles apenas vêm de famílias com dinheiro

Estamos em uma época do culto ao empreendedorismo. Analisamos o que escreveram Tory Burch e Evan Spiegels à procura de uma fórmula mágica ou um conjunto de traços de personalidade que levassem ao sucesso. O empreendedorismo está em ascensão, e cada vez mais alunos que estão saindo das escolas de negócios estão escolhendo ter suas próprias startups ao invés de ir trabalhar em Wall Street.
Mas o que muitas vezes se perde nestas conversas é que a característica mais comum compartilhada entre esses empreendedores é o acesso fácil ao capital financeiro: dinheiro da família, uma herança, ou um "pedigree" com conexões que permitem o acesso à estabilidade financeira. Enquanto na maioria das vezes parece que os empreendedores tendem a ter um admirável propensão para risco, a verdade é que o acesso ao dinheiro que lhes permite tomar riscos mais altos (no caso de falência, bastaria recomeçar tudo novamente com capital de terceiros).

E essa é uma vantagem fundamental: quando as necessidades básicas são atendidas, é mais fácil ser criativo. Quando você sabe que você tem uma "rede de segurança" lhe protegendo em caso de fracasso você está mais disposto a correr riscos. "Muitos outros pesquisadores replicaram a constatação de que o empreendedorismo é mais sobre dinheiro do que características genéticas", diz o professor da Universidade de Warwick, Andrew Oswald. "Genes provavelmente importam, como na maioria das coisas na vida, mas não tanto assim."

Os economistas Ross Levine e Rona Rubenstein, da Universidade Berkeley, Califórnia, analisaram os traços compartilhados entre os empreendedores em um artigo publicado em 2013 e descobriram que a maioria era era composta por homens brancos altamente educados. "Se não tiver dinheiro na forma de uma família rica (ou com bons contatos), as chances de se tornar um empreendedor caem um pouco," diz Levine.

Uma nova pesquisa publicada nesta semana pela National Bureau of Economic Research analisou o grau de assunção de riscos no mercado acionário e descobriu que fatores ambientais (não genéticos) foram os principais responsáveis pelas tomadas de decisão. Ou seja, a tolerância ao risco aumenta ao longo do tempo, quando os operadores estão mais experientes e com maior patrimônio, dissipando o mito de um "gene de empreendedorismo" responsável por fazer com que as pessoas fizessem operações mais arriscadas.

Resiliência é, indubitavelmente, uma característica necessária para o sucesso; muitos empresários notáveis experimentaram sucesso somente após seus primeiros empreendimentos falharem. Mas a barreira de entrada é muito alta.

Para profissões criativas, começar um novo empreendimento é um privilégio. Muitos fundadores de startup não recebem salários por um bom tempo, até o negócio maturar. O custo médio de uma startup é de cerca de US$ 30.000,00 de acordo com a Fundação Kauffman. Dados da Global Entrepreneurship Monitor mostram que mais de 80% do financiamento para novos negócios vem de economias pessoais, amigos e família.

Uma mulher de 31 anos que dirige um negócio na área social na região de Nova York e pediu para não ser identificado, disse: "Seguir seus sonhos é perigoso. Toda essa gente está sendo seduzida a pensar que eles podem sair e perseguir o seu sonho a qualquer momento, mas não é verdade".

"Sim, certamente trabalho árduo resultará em algo, mas as pessoas subestimam o quanto uma rede de contatos e um colchão financeiro te dando suporte influenciam no sucesso do teu empreendimento".

Fonte: Quartz

terça-feira, 24 de maio de 2016

SEFAZ-SP encerrará o emissor de NF-e gratuito em janeiro/2017

A Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo divulgou a informação de que irá descontinuar seu emissor gratuito de notas fiscais eletrônicas em janeiro de 2017. Desde já, a versão atual deixa de receber atualizações e não haverá uma versão substituta. Isso é uma notícia que demanda total atenção, principalmente por parte dos contadores.

Sem as atualizações constantes que as notas recebem da legislação brasileira, o risco de uma emissão errada é alto e, o pior, passível de multa. Esse cenário ainda conta com um agravante. Muitas empresas possuem suas rotinas e inclusive seus ERPs prontos para atender a esse modelo de emissão gratuito. Essa mudança afeta diretamente toda a cadeia de informação fiscal e administrativa da empresa.

Os emissores gratuitos eram fornecidos pela Sefaz desde 2006. Seu objetivo sempre foi gerar um melhor controle sobre o recolhimento de impostos e, inclusive, de defesa do consumidor, proporcionando um controle claro das transações comerciais realizadas. A alteração vem baseada em um levantamento realizado pela Sefaz que aponta que 92,2% das NF-e emitidas foram geradas por softwares emissores próprios e somente 7,8% usaram o emissor da SEFAZ-SP.

Por conta disso o órgão chegou a conclusão que a ferramenta gratuita não se justifica e optou por descontinua-la.

Embora ainda seja possível usar a versão atual até o final do ano, caso alguma regra seja alterada nos próximos meses a emissão será denegada se o aplicativo atual não atende-la.